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Relatório informativo

O Seminário Novas Perspectivas para a Gestão do Voluntariado, realizado no dia 07 de Junho de 2005, contou com a presença de diversos atores sociais, dentre eles, Empresas, Organizações da Sociedade Civil, Entidades Governamentais, Faculdades e estudantes universitários.

 

Antes do início dos trabalhos previstos para a parte da manhã, Elisabete Mercadante, coordenadora de Voluntariado Empresarial do Recife Voluntário, realizou uma atividade de integração, onde os participantes tiveram a oportunidade de se conhecerem em clima de alegria e descontração.

 

 Na parte da manhã, a programação cumpriu a seguinte pauta:

 

1) Abertura e composição da mesa: Tibério Pedrosa, presidente do Comitê Pernambuco Geórgia, Vanusa Lack, presidente do Recife Voluntário, Peter Swaueley, cônsul do EUA no Recife, Socorro Aragão, representante do Comitê Paraíba-Connecticut, Bárbara Bloch, Diretora de Eventos da Partners, Suzana Leal, Superintendente do Ação Empresarial e Carolina Tigre, representante da TIM.

 

2) Apresentação do Cia das Américas por Socorro Aragão;

 

3) Painel: Voluntariado nos EUA, por Débora Block

 

4) Painel: Voluntariado no Brasil, por Elisabete Mercadante;

 

5) Apresentação sobre Responsabilidade Social e Voluntariado Empresarial, por Suzana Leal;

 

6) Apresentação de Case de Sucesso de Voluntariado Empresarial – TIM, por Carolina Tigre

 

7) Debate

        

    

 

2. Apresentação do Cia das Américas (Socorro Aragão)

 

Maior organização voluntária das Américas, onde há participação de vários países, no Brasil, está presente em 19 estados brasileiros. Em Pernambuco há convênio com a Geórgia, assim como a Paraíba com Conecticut. Os membros dos comitês estão presentes nas mais diferentes áreas profissionais: líderes comunitários, estudantes, etc.

 

A ênfase da sua atuação é a melhoria da qualidade de vida, recebendo apoio de organizações governamentais e não governamentais.

Foi relatada um pouco da história dos Companheiros das Américas, que trabalharam juntos para qualidade de vida na América Latina, Caribe e América do Norte, por:

 

·         Busca de soluções por problemas comuns;

·         Formação de líderes comunitários;

·         Fortalecimento de organizações não governamentais, etc.

 

Algumas das áreas de atuação:

 

·         Agricultura e recursos naturais;

·         Sociedade civil;

·         Prontidão de emergência;

·         Apoio Institucional;

·         Workshop de liderança

·         Rede de contatos;

·         Desenvolvimento de parcerias.

 

Financiadores: fundações, agências governamentais, corporações americanas e internacionais, organizações multilaterais, e doações individuais.

 

 

 

3. Painel: Voluntariado no EUA (Bárbara Block):

 

Nos Estados Unidos, o voluntário é atua como um complemento das ações do governo, é identificada uma sociedade civil forte. Há um preconceito com relação ao voluntário, pois antes se via apenas como alguém que dispunha de tempo livre. Antes se via como mulheres desocupadas, amadoras e atualmente a mulher está trabalhando, há idosos e pessoas desocupadas atuando como voluntários.

 

Bárbara atua como voluntária em um museu, onde há mais 150 voluntários para eventos especiais que ainda convidam outros. Ela afirma que o Governo Bush reconhece o trabalho voluntário nos EUA.

 

Algumas estatísticas: Força do Voluntariado nos EUA 2001 a 2002

Realizada de (set.01 a set.02 – ano fiscal)

 

Acima de 16 anos

59 milhões de voluntários

15 bilhões de horas

U$ 239 bilhões

 

A ONG nos EUA que tem voluntário, toma como referência o valor de U$ 17 por esta hora  trabalhada, para contabilizar o quanto gastaria se essa mão de obra fosse remunerada. Este dado serve de referência para mostrar ao governo o quanto ser mobiliza por ano em trabalho voluntário.

 

Bárbara ainda comentou sobre a importância e crescimento do voluntariado turístico, os turistas querem visitar e fazer seu trabalho, querem aprender com a localidade. Nos EUA, há muitos médicos que querem fazer um trabalho em Recife, numa clínica, trocar experiências, entender sobre doenças. Há uma rede de voluntários. Eles não querem fazer um turismo comum.  Relacionado a esse tipo de voluntariado, existe a América Airlines.

 

 

 

4. Painel: Voluntariado no Brasil (Elisabete Mercadante):

 

·   Texto de Dalai Lama – sentir compaixão;

 

·   Histórico do Voluntariado no Brasil (1523 Raízes do voluntariado...);

 

·   Demonstrou que há diferenças políticas claras entre EUA e Brasil, mas o histórico tem algumas nuances semelhantes;

 

·   Impactos do Programa de Voluntariado Empresarial – dados da Pesquisa realizada pelo Recife Voluntário no Programa implantado na PHILIPs e LG Philips;

 

·   Recife possui mais de 2000 ONGs, por isso há um terreno fértil para causa do voluntariado.

 

 

 


5. Apresentação sobre Responsabilidade Social e Voluntariado Empresarial (Suzana Leal):

 

Ø       Histórico do Ação Empresarial pela Cidadania:

 

1999 – Surgimento

2004 – 60 empresas e mais de 100 parceiros

 

 

Ø       Breve explanação sobre Responsabilidade Social:

 

 É a empresa ter visão de futuro, ser promotora de mudanças, ter atitude e ética cidadã;

 

Condição sine qua non para que as empresas se desenvolvam em qualquer mercado. Por que? Porque ela não está sozinha. O relacionamento com os diversos públicos que atua – clientes, concorrentes, fornecedores, meio ambiente, acionistas.

 

Mobilizar e apoiar empresários para cuidar do social e contribuir na equidade social através do investimento social privado.

 

 

Ø       Áreas de atuação do Ação Empresarial:

 

Sensibilização e Mobilização

Objetivo: Formar opinião

Estratégia: Três informativos – 2 sites e Capital Social Aliança para o NE, palestras, prêmios (Cidadania)

 

Apoio e Capacitação

 

Articulação política

Redes – Aliança Empresarial pelo NE

Conjunto Integrado de Microrregiões

Consórcio da Juventude

NAM – Núcleo

 

 

Ø        Demonstração de pesquisas do IPEA

 

NORDESTE

1999 – 55%      2003 – 74%

Houve um crescimento de 35% das ações sociais realizadas por empresas nesta região;

 

SUDESTE

1999 a 2003 nesta região houve um crescimento de apenas 6%;

 

No Ceará em 1999 – 45% e em  2003 – 74% houve um crescimento de 29%, já em Pernambuco  houve um crescimento de 26%.

 

O voluntariado empresarial é um grande canal de estímulo a Responsabilidade Social Empresarial, além do espaço para participação cidadã.

 

 

 

6. Apresentação de Case do Programa de Voluntariado Empresarial - TIM (Carolina Tigre):

 

O Programa começou inicialmente com ações pontuais;

 

Comunidade – Jovem, Junior Achivment, Pastoral e IQE

Meio Ambiente – Recicla Tim

Empresa Coração Amigo – Max Tell

 

 

Programa de Voluntariado Empresarial - Melhor ferramenta para atingir a responsabilidade social dos funcionários. A parceria com o Recife Voluntário para a estruturação, capacitação e implantação do Programa foi de extrema importância.

 

 

Mapeamento inicial realizado pelo Recife Voluntário na TIM:

 

ü Saber quem já era voluntário;

ü 73% não eram voluntários;

ü Público alvo preferido pelos funcionários para o trabalho voluntário: jovem

 

 

Locais de atuação do Programa de Voluntariado da TIM:

 

Escola Epitácio Pessoa

Casa de Passagem

Creche Nossa Senhora

 

 

Resultados da Pesquisa realizada pelo Recife Voluntário no 1º ano do Programa de Voluntariado da TIM:

 

·   75 voluntários participantes;

·   50% deles desenvolveram habilidades que não conheciam;

·   698 alunos beneficiados - 98% acesso a novos conhecimentos;

·   105 alunos participaram do Núcleo Mini empresa;

·   148 alunos participaram do Núcleo Telemarketing;

·   27 professores participaram da roda de palestras;

 

 

 

7. Debates: principais questões levantadas

 

 

a) Zélia (diretora de escola pública): É possível a implantação de programa de voluntariado em órgão do Estado? 

 

Resposta de Liliane Fell (Coordenadora do Recife Voluntário)- A lei que regula o Serviço Voluntário permite que este trabalho exista também em entidade pública de qualquer natureza. Em Recife, temos como exemplo de Voluntariado na Gestão Pública, o Centro de Justiça Terapêutica do Tribunal de Justiça, onde participamos da estruturação do seu Programa Interno de Voluntariado. 

 

b) Monteiro (representante da FIR – Faculdade Integrada do Recife) Vejo como fator muito importante a gestão financeira em qualquer um dos três setores. Gostaria de saber com que base foi calculado o valor de U$17,00/ hora?

 

Resposta de Bárbara Block (Diretora de Eventos da Partners) –  O cálculo foi feito com  base no salário, a pessoa que trabalha no setor ganha mais que isso, uma média ficou em U$17,00/hora. O típico americano não conhece essa comparação de quanto ganharia em $, não conhece a lei. Bárbara demonstrou que não tem conhecimento sobre essa lei nos EUA e perguntou a outro palestrante que afirmou que nos EUA não há uma legislação específica para a questão do voluntariado. E que existe 87% dos americanos na vida voluntária.

 

c) Luis de La Mora – Professor da UFPE, coordenador do Projeto Conexão dos saberes:

Com relação à primeira colocação a respeito do voluntariado, gostaria de dizer que esta causa traz uma superação de paradigmas, uma convergência de política ganha-ganha entre empresas, comunidades, funcionários e indivíduos.  Todo mundo ganha, nem que seja satisfação, até o reino dos céus, se pode ganhar com o voluntariado.

 

d) Carol (estudante da FIR): chamou atenção dos estudante universitários para sua participação como voluntários.

 

e) Estudante de geografia da UFPE diz que já atuou como voluntária na prefeitura. Será que se tornarmos essa responsabilidade só para nós, indivíduos e empresas – estaremos tirando a responsabilidade do governo ?

 

Resposta de Elisabete Mercadante (Coordenadora do Recife Voluntário) O histórico demonstrou em vários momentos o enfraquecimento do voluntariado e hoje a solução para avançarmos é nos sentirmos co-responsáveis. Na área de políticas públicas, para que a gestão seja realmente participativa tem que haver a colaboração dos voluntários e dos empresários. É possível monitorar e cobrar do governo o direcionamento dessas ações. Tem que fazer junto!

 

 

Na parte da tarde, a programação cumpriu a seguinte pauta:

 

1) Composição da mesa: Tibério Pedrosa, presidente do Comitê Pernambuco Geórgia, Liliane Fell, coordenadora de Programas de Desenvolvimento Comunitário do Recife Voluntário, Tony do Partners e  Anelise da AACD.

 

2) Apresentação de DVD sobre o Partners, por Tibério Pedrosa;

 

3) Apresentação da Ferramenta de Gestão do Voluntariado criada pelo Partners, por Tony.

 

4) Apresentação do Recife Voluntário: Mudanças na atuação com Voluntários e ONGs conveniadas,

por Liliane Fell

 

5) Apresentação de Programa de Voluntariado de sucesso: AACD por Anelise.

 

6) Momento para perguntas e encerramento

 

 

 

Apresentação da Ferramenta de Gestão do Voluntariado criada pelo Partners  (Tony)

Após a morte de sua mãe há sete anos, o canadense Tony decidiu ser voluntário para ajudar pessoas que não têm a quem recorrer. Tony criou uma ferramenta para gerenciar a oferta de serviços voluntários, bem como organizar um banco de dados de oportunidades e de pessoas interessadas em atuar como voluntário.

 

Em sua apresentação no seminário explicou algumas possibilidades de uso da ferramenta, que é um programa de comunicação e gerenciamento de voluntários que trará uma eficácia significante ao trabalho com voluntários, aprimorando a atividade de comunicações e melhorando a satisfação do voluntário.

Esta ferramenta é um programa baseado na web e com ele você reduz o tempo para realizar algumas de suas atividades, permite que próprios voluntários executem certas tarefas enquanto automatiza outras.

Ao permitir que os voluntários tenham uma opção de comunicar suas abilidades, visualizar suas agendas e submeter suas horas, tudo online, você estará elevando o nível de satisfação desse voluntário. Ao mesmo tempo que estará economizando tempo atendendo ao telefone, rastreando mudanças de disponibilidade, digitando horas, etc..
 
Com apenas um clique no programa, você poderá anunciar trabalhos na Internet onde voluntários em potencial podem acessá-los com um clique na nossa website. Economize um tempo valioso reunindo informação sobre formulário dos voluntários online que vai direto para o programa sem que seja preciso que  digitar os dados manualmente.

Juntamente com o Comitê Pernambuco Geórgia, o Recife voluntário será responsável pelo gerenciamento deste programa na capital pernambucana.

 

 


Apresentação do Recife Voluntário: Mudanças na atuação com Voluntários e Ongs Conveniadas (Liliane Fell) 

 

1.        Apresentação da nova equipe do Recife Voluntário;

 

2.        Trajetória do Recife Voluntário:

 

Nestes anos na estrada do voluntariado, percebemos que a solidariedade é algo latente no povo brasileiro. A solidariedade existe, o que precisa, na verdade, é organizar essa energia, canalizá-la para o caminho da cidadania, de uma ajuda emancipadora.

 

Como idéia de uma possível cultura do voluntariado, independente de RV e de Cia das Américas, acreditamos que a sociedade civil é responsável pelas áreas públicas, como também é o governo e as empresas. Se tivermos uma escola pública mais limpa é melhor para todos, uma praia mais limpa é melhor para todos. O que precisa ficar claro é o limite destas responsabilidades, até onde cada ator social poderá agir.

 

O Recife Voluntário surgiu a partir do Programa Voluntários do Comunidade Solidária. Seguindo o modelo criado por este programa, a atividade básica do Centro de Voluntários seria encaminhar pessoas que queiram doar seu tempo e talento  para Organizações que necessitem de voluntários.   

 

 

Nos seus primeiros anos, 1999 – 2001, o Recife Voluntário concentrou suas atividades em:

 

* Cadastramento e alimentação de banco de dados de voluntários;

* Palestras mensais para voluntários 

* Capacitação sobre Gestão doVoluntariado para Ongs Conveniadas;

* Cardápio de oportunidades;

 

* Fórum Permanente do Voluntariado

* Palestras para divulgação do Voluntariado Moderno;

* Participação na Rede de Centros de Voluntários

 

 

Na realização destas atividades, o Recife Voluntário diagnosticou os seguintes desafios:

 

 

 DESAFIOS em relação ao Voluntário

 

1. maior número de voluntários cadastrados eram estudantes universitários, que buscam no trabalho voluntário oportunidade de adquirir experiência profissional;  

 

2. querer ser voluntário apresentava-se como um momento, isto é, nas férias ou  enquanto espera conseguir trabalho;   

 

3. O voluntário se cadastra no Recife Voluntário e pronto, não tem a pro-atividade ou consciência de buscar outras alternativas de realizar ações voluntárias;

 

4. Os voluntários encaminhados para as Ongs tinham que enfrentar a resistência do quadro remunerado;

 

5. Os voluntários encaminhados não recebiam orientações por parte da Organização, não tinham atividade definida e muitas vezes chegavam nas Instituições e não tinham o que fazer ;

 

6. Para o jovem voluntário o serviço voluntário era visto muitas vezes como “fogo de palha”, um desejo de usar o tempo livre naquele momento em que foi questionado ou que nos procurou. Em meados de 2002 foi realizado um recadastramento desses voluntários e a grande maioria não queria continuar.

 

 

 

DESAFIOS em relação às Organizações Conveniadas:

 

1. Visão assistencialista do trabalho voluntário, as organizações não cobram dos voluntários posturas mais comprometidas, pois ainda  percebem o voluntariado como favor e não como compromisso social;

 

2. Alta rotatividade dos coordenadores que passavam pelo curso sobre Gestão do Voluntariado;     

  

3. As Organizações não estavam preparadas para implantar um Programa de Voluntariado. “O voluntariado moderno dá trabalho”e a necessidade do momento era a captação de recursos.

     

4. As Organizações não davam feedback ao Recife Voluntário em relação ao perfil do voluntário que estavam precisando;

 

5. Visão do Recife Voluntário como Central de Voluntários, onde há um banco de voluntários e só preciso ligar e pedir voluntários. A organização não assume a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso da