| O
Decálogo do Voluntário |
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O
voluntário deve descobrir
a complexidade dos processos
sociais: uma idéia aparentemente
simples é apenas uma
idéia simplificada. Os
problemas sociais têm
a forma de uma teia de aranha:
estão entrelaçados
por inúmeros fatores.
Saber estar em uma sociedade
complexa e bem informado é
uma qualidade essencial do voluntário
hoje. |
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O voluntário
tem sentido apenas quando
se considera o horizonte da
emancipação.
É preciso dar afeto
a um doente terminal ou acolher
uma pessoa que luta contra
a dependência química,
mais isso somente é
válido se for um passo
a mais na remoção
das causas da marginalidade
e do sofrimento desnecessário. |
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A ação voluntária
tem qualidade ética apenas
quando é uma opção
livre de um sujeito, no interior
de uma tripla aspiração:
a sua auto-estima, a solidariedade
com o próximo e o compromisso
com a construção
de uma sociedade justa. |
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O voluntariado
não é um plano
para diminuir os compromissos
do Estado. Se, em algum momento,
sua presença é
um pretexto para afastar e
restringir os esforços
governamentais, o voluntariado
entra em uma zona de risco. |
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A ação voluntária
é como uma orquestra:
o importante é que ela
soe bem e não o fato
de a flauta ser de madeira ou
de metal ou a quem ela pertence.
Da orquestra devemos exigir
coordenação, coerência
e concentração
de forças. O voluntário
é sempre um "co-equiper".
A fragmentação
não leva a nada e numa
equipe cada um joga em seu próprio
posto colaborando com o resto
em função da partida. |
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A ação
voluntária deve ter
competência humana e
qualidade técnica.
O amor não é
suficiente. Se, por ignorância
ou incompetência fazemos
sofrer uma pessoa frágil,
embora tenhamos a melhor das
intenções, conseguiremos,
apenas, aumentar a sua impotência
e a sua marginalidade. |
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O voluntariado deve ganhar
espaços entre as classes
populares. Não pode ser
uma instituição
que interesse apenas à
classe média, nem àqueles
que têm tempo disponível,
responde ao exercício
da cidadania que é responsável
pelos assuntos que a todos afetam. |
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O voluntariado
aprecia o profissional da
ação social
e busca sempre a complementaridade,
mas justamente por isso não
se transforma em auxiliar
nem em corrente de transmissão,
defende o espaço de
liberdade que lhe é
próprio. |
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O voluntariado precisa, hoje,
disciplinar a sua ação.
As melhores iniciativas se perdem
pela incapacidade de submetê-las
a um programa, a objetivos,
a um método, a certos
prazos, a uma dedicação
séria, a uma avaliação.
A boa intenção
é um caminho viável
desde que haja disciplina; se
ela não existe, é
um fracasso. O voluntário
evita palavras fúteis
para se aproximar dos gestos
eficazes. |
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A ação
voluntária requer reciprocidade:
não é orientada
simplesmente à assistência
do outro, mas ao crescimento
de ambos, embora as suas contribuições
sejam diferentes. A estima
do outro não exige
apenas a acolhida, mas espera
também uma resposta
análoga. |
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Texto extraído
do encarte especial do boletim Agir
nº. 5,
do Programa Voluntários.
Texto de Joaquín García
Roca
Solidariedad y voluntariado. Ed. Sal
Terrae, 1994. Espanha. |
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