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Recife Voluntário
– Como você começou
no Recife Voluntário?
Liliane Fell
– Em 1997, assisti na televisão
o VT de lançamento da campanha
“Meu Coração
é Voluntário”
do Programa Voluntários e algo
dentro de mim despertou. Procurei me informar
sobre a campanha e como me tornar voluntária
e não consegui encontrar nenhuma
ong que atuasse nessa área. Até
o termo “voluntário”
era algo desconhecido. Conversando com
meu chefe na época, o Dr.
Pedro Nepomuceno, ele me informou
que estava participando de reuniões
do grupo fundador do Centro de
Voluntários do Recife e
me convidou para conhecer o trabalho.
E a parti de 97 minha vida tomou
outro rumo, larguei as atividades
no escritório de advocacia e enveredei
no mundo do voluntariado e do Terceiro
Setor, no qual acredito e cada
dia me fascina mais.
Trabalhar pela causa do voluntariado tem
sido uma aprendizagem constante.
É uma experiência vivencial
e de intenso crescimento,
na qual o alvo sou eu mesma, o meu aprimoramento
como “ser humano”
e só desta forma, sendo o exemplo,
é que poderei influenciar outras
pessoas a também fazerem do voluntariado
uma opção de vida.
RV – Como
foi o início do Recife Voluntário?
Liliane
– Inicialmente, o Recife Voluntário
e outros Centros de Voluntários
basearam sua atuação no
modelo formatado pelo Programa
Voluntários do Comunidade Solidária.
Onde a principal atividade era ser o elo
de ligação entre
o voluntário que queria ajudar
mas não sabia como e a entidade
social interessada em trabalhar com voluntários.
Então estes dois públicos
eram sensibilizados através
de palestras e cursos sobre a nova filosofia
do voluntariado moderno.
Os desafios foram surgindo
e dentre eles: visão assistencialista
a cerca do voluntariado, a falta de priorização
e preparação por parte das
Ongs conveniadas no que
se refere à gestão profissional
do Programa de Voluntariado interno,
alto número de voluntários
cadastrados e poucas vagas disponíveis
nas Ongs conveniadas.
Atuar com o voluntariado institucional
foi o primeiro laboratório mas
não mobilizava recursos suficientes
e limitava o nosso potencial
de articulação e por isto,
resolvemos ampliar nosso campo de atuação
e iniciamos simultaneamente
atividades com empresas, poder público
e comunidades de base, onde se destacaram
as parcerias com a Philips, LG Philips,
Tribunal de Justiça de Pernambuco
através do Centro de Justiça
Terapêutica e o Projeto Escola Aberta
da Unesco. |
RV - E o que
mudou na história da Organização
?
Liliane
- Inúmeras mudanças
ocorreram no Recife Voluntário,
principalmente no que refere à
constante rotatividade do quadro interno
de funcionários, o que de certa
forma fazia com que estivéssemos
sempre tendo que recomeçar.
Nestes 09(nove) anos
de existência, avançamos
bastante e atualmente as nossas atividades
estão agrupadas em três
programas: Voluntariado nas Ongs,
Voluntariado nas Empresas
e Voluntariado nas Comunidades
de base. Cada programa tem uma coordenação
própria, sustentável através
de parcerias específicas.
O Recife Voluntário
tem sido aquele professor que agente leva
os ensinamentos pro resto de nossas vidas.
RV – Como
foi a sua experiência no Natal Voluntários?
Liliane
– Vejo o Natal Voluntários
como um centro referência
em nível nacional e internacional
e principalmente com legitimidade
localmente. Ter tido a oportunidade de
trabalhar lá em 2004
foi gratificante pela multiplicidade
de atividades que desempenhei,
entre elas destaco: as palestras sobre
o Dia Global do Voluntariado Jovem nas
escolas, oficinas sobre voluntariado jovem
e participação no Programa
Tempo de mutirões na comunidade.
RV – Por
que você resolveu se dedicar ao
voluntariado para o desenvolvimento comunitário?
Liliane
– Acredito que se quisermos transformar
a sociedade através do voluntariado
isto só será possível
se as pessoas que estão em desvantagem
social forem estimuladas
e encorajadas a participarem
ativamente de todo o processo de mudança,
e, não apenas serem meros
fantoches de programas que visam
gerar renda sem desenvolvimento
social e coletivo. Desta forma,
atuar no desenvolvimento comunitário
é facilitar o despertar de consciências,
do individual para o coletivo, fazendo
com que cada um reflita sobre a questão
de se não começarmos a pensar
e agir em nome “de todos”,
o nosso próprio futuro estará
comprometido.
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